Sam Smith & the Gay Male Body Archetype

Postado originalmente em HyperReality:

You may or may not have heard about Sam Smith yet. If you haven’t, you need to know two things:

1.) He has the voice of an ANGEL. But not just any angel, like a fucking first sphere seraph angel (which, according to this Wikipedia page, is like, the highest of angels; I don’t know how accurate that is because I know pretty much nothing about angel hierarchy.) Check out these videos to acquaint yourself with his majesty:

(His orgasmic and life-changing debut single “Stay With Me”)

(His impeccable collaboration with Disclosure, “Latch,” which is totally contender for my personal Song of the Year award) 

(His cover of Whitney Houston’s “How Will I Know,” which recently went viral and is guaranteed to make you fall in love with him/make your soul cry for a man like him to come into your life)

2.) He’s pretty much the elusive unicorn of gay males: he’s…

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Direção espiritual e homossexualidade

Trecho do livro Direção espiritual  e homossexualidade, do Pe. James Empereur SJ (Loyola, 2006):

A homossexualidade é um dos dons mais significativos de Deus para a humanidade. Ser gay ou lésbica é ter recebido uma bênção especial de Deus. Todos os humanos recebem suas graças especiais do Criador, mas Ele escolheu que alguns fossem gays e lésbicas como uma maneira de revelar algo a respeito de Sua identidade que os heterossexuais não revelam. Da aceitação dessa premissa depende o sucesso ou o fracasso de toda direção espiritual autêntica e bem-sucedida junto a gays e lésbicas. Aconselha-se ao diretor espiritual que não consegue abraçá-la que limite seu trabalho com homossexuais. Isso não significa que o diretor deva aceitar tudo o que passa por atividade gay/lésbica; não implica que ele não possa abraçar a posição de sua Igreja a respeito da moralidade da atividade homoerótica. Mas significa que um diretor que deseje dedicar tempo considerável à direção de homossexuais não deve perceber essa orientação específica como algo inferior à orientação heterossexual. Todos os diretores conscientes e sensíveis sabem que, quando alguém vai a eles em busca de acompanhamento em sua jornada espiritual, confiando-lhes algumas das partes mais significativas de suas histórias pessoais, eles estão na presença de seu Deus, tornado manifesto na forma do dirigido. Alguns diretores também podem perceber que, quando essa pessoa é homossexual, Deus está presente de maneira homossexual. Tal postura é básica para o trabalho autêntico com gays e lésbicas. Não se pode esperar menos do diretor. Homossexual e sagrado não são termos incompatíveis. James Cotter argumentou que um dos maiores obstáculos para a afirmação da santidade do homossexual é a ênfase no termo “antinatural” quando se fala de relacionamentos gays e lésbicos. Para diretores que pratiquem direção em tempo considerável junto a gays e lésbicas, chegará o momento (e mais de uma vez) em que, apesar de suas próprias reservas a respeito de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, eles deverão colocar a mesma questão que Cotter coloca: como esses relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são um meio de graça para as pessoas envolvidas e como é que as pessoas que vivem em tais uniões rumam para a santidade por meio das lutas que lhes são específicas? Cada dirigido, gay ou heterossexual, é uma epifania de Deus de alguma maneira. É uma pessoa sexual. Como tal, cada dirigido manifestará algo a respeito do amor criador e vivificador de Deus. Já que, como sabemos, a maioria das pessoas no mundo é heterossexual, a sexualidade da maioria dos seres humanos chega a um cumprimento especial, um alto grau de sacramentalidade, na concepção e no nascimento de outro ser humano. Para a maioria dos diretores, isso significa que lidarão com heterossexuais que pos­suem a capacidade e a disposição para ser nossos exemplos mais freqüentes desse amor criador e do poder vivificador de Deus. Se é esse o caso, como ficam as pessoas gays/lésbicas? De que modo elas são uma manifestação desse amor e desse poder de Deus? Elas o fazem de uma maneira especial. É por isso que sua sexualidade é um carisma entre seus irmãos e irmãs. Os gays cristãos pos­suem um carisma análogo ao carisma de uma vocação religiosa. Os membros das ordens e congregações religiosas não são os únicos cristãos chamados a viver vidas castas, pobres e obedientes no sentido evangélico dessas virtudes. Todos os cristãos o são. Os religiosos são poucos em número, e isso porque se pede que vivam essa vida com certa intensidade e reserva em resposta a um chamado. Esse chamado que os faz diferentes, mas não melhores que outros cristãos, é chamado carisma. O que diferencia o carisma do homem gay do carisma de um homem membro de uma ordem religiosa é que o do homem gay é um carisma sexual. Assim como Deus ofereceu certo dom a sacerdotes, irmãos ou irmãs na vida religiosa para que seguissem o Evangelho com certo caráter público, assim Ele ofereceu aos homens gays e mulheres lésbicas um dom sexual especial, que exibe de maneira pública a diversidade e a beleza de Deus em nosso mundo. Todas as criaturas de Deus expõem a obra de Deus, mas o mundo também precisa de variação para que a riqueza dessa obra seja inequivocamente evidente. Deus dá a gays e lésbicas a variação um tanto surpreendente de sua sexualidade para ajudar seus irmãos e irmãs a ter uma compreensão maior da realidade de seu Deus. A comparação do carisma de gays e lésbicas com o do chamado para a vida religiosa não constitui uma analogia completa. A vida religiosa é uma vocação acima da vocação que recebemos de Deus ao sermos criados filhos ou filhas de Deus. A sexualidade gay é um fato da criação. A similaridade do carisma baseia-se na liminaridade da experiência. Os religiosos são poucos em comparação à população total, e pede-se a eles que vivam de certa maneira, que carrega consigo certa qualidade contracultural. Se a vida religiosa é indistinguível do resto da vida cristã, parece não haver nenhum propósito para sua existência. As importantes transições pelas quais a vida religiosa está passando agora em um esforço para descobrir seu lugar no mundo hoje são uma prova disso. Também os homossexuais são uma minoria. Também eles devem viver vidas contraculturais. Mais tarde, argumentarei que eles devem conduzir vidas mais marginais, mais liminares para oferecer uma contribuição à humanidade. Ao contrário dos homens e mulheres religiosos, eles não tiveram escolha quanto à vocação. Não lhes perguntaram se queriam ser homossexuais. Há muitas coisas importantes a respeito de nós mesmos como criaturas que nos foram dadas: nosso gênero, nossa orientação, nossa cor. Não escolhemos nossos pais, nossa nacionalidade, nossos dons e nossas limitações específicas. O carisma não se baseia primariamente na escolha, mas em um dom oferecido a alguém para ser compartilhado porque o mundo necessita desse dom. Em linguagem teológica, assim como para o religioso santo e saudável, para o gay/lésbica santo e saudável a vida deve ter um caráter escatológico mais evidente. Isto é, sua vocação é lembrar o mundo de algo que pode muito bem ser menosprezado. Todos os carismas convergem na tarefa de elevar o Deus oculto em nosso mundo e em nossas vidas. Sexualidade e espiritualidade É difícil afirmar a bondade da orientação homossexual onde a sexualidade e a espiritualidade estão em confronto. A separação das duas causada pelo dualismo corpo/espírito é bem conhecida e documentada na história do mundo ocidental. James Nelson, que escreveu amplamente na área da sexualidade e da espiritualidade, chama a atenção para um deslocamento que está reintegrando as duas. Segundo Nelson, a questão básica do cristianismo deixou de ser “o que a Bíblia, a tradição e a Igreja dizem a respeito da sexualidade?” para dar lugar a “o que nossa expe­riência da sexualidade diz a respeito de nossa compreensão da fé?” O homem gay não pode contentar-se em esperar que a tradição lhe diga como pensar e sentir Deus; ele precisa perguntar a si mesmo como está efetivamente experimentando Deus e como sua experiência pode contribuir para a compreensão geral da rea­lidade de Deus hoje. Mais importante, precisa confiar em sua experiência de Deus. A questão mais profunda aqui é a inadequação da tradição para lidar com avanços na compreensão contemporânea da pessoa humana, já que se baseia muito freqüentemente no essencialismo filosófico. A teologia moral contemporânea afasta-se desse tipo de essencialismo quando vê o pecado e a graça como realidades relacionais. Os estados de graça e pecado não são certas condições estáticas de nossas almas, que possam ter delimitados seu início e seu fim. E Vincent Genovesi diz: “No nível mais profundo de nossa existência, nossas vidas são vividas em graça, inspiradas e informadas em graus maiores ou menores por um amor por Deus e pelo próximo, ou são vividas em egoísmo e pecado, caso em que estamos vivendo basicamente vidas sem amor”. Ao avaliar nossa relação com Deus, não podemos, portanto, ficar satisfeitos em fazer perguntas simples como: “Isto é certo ou errado?”. Devemos perguntar: “Em que medida minha vida é uma vida amorosa? Em que medida há um fracasso em amar na minha vida? [...] A verdade parece ser que escolhemos ajudar ou magoar, amar ou ser egoístas, por meio de numerosas pequenas decisões ao longo de um período de tempo”. Aquilo que muitas vezes é denominado tradição essencialista, isto é, a tradição segundo a qual existem normas absolutas, independentes das circunstâncias históricas, julga difícil haver uma perspectiva positiva da experiência homossexual. Para compreender a natureza de nossa sexualidade, devemos ler sua história. Isso irá revelar como os seres humanos têm sido sexuais por meio de relacionamentos mutuamente capacitadores ou, por outro lado, pelo controle dos outros, pelo abuso do poder sobre os outros. Como assinalam pensadores como Michel Foucault, nossa sexualidade é construída socialmente. Ela não é simplesmente dada em uma forma imutável no início da criação humana. Fomos relacionais em nossas origens e somos relacionais hoje. Carter Heyward o expressa desta maneira: “Não existe algo como homossexual ou heterossexual se, com isso, queremos designar uma essência fixa, uma identidade essencial. Há, antes, pessoas homossexuais e heterossexuais — pessoas que atuam homossexual ou heterossexualmente [...] Somos apenas o que estamos nos tornando em relação ao outro”. Como Heyward observa, uma leitura histórica de nossa sexua­lidade é um desafio tanto para gays e lésbicas como para os que se opõem a eles. Gays e lésbicas não podem afirmar que, porque são de certa maneira, possuem certos direitos a agir de certa maneira. Tampouco os que se opõem à homossexualidade podem dizer que gays e lésbicas, por sua natureza, são imperfeitos ou doentes. A perspectiva histórica ajuda-nos a perceber que é o que fazemos, não o que somos, que é significativo na área do viver cristão. Além disso, a sexualidade é cada vez mais vista como parte necessária de nossas vidas espirituais e, portanto, intrínseca a nossa experiência de Deus. Essa perspectiva vê antes o companheiro que a procriação como o fim primário da sexualidade, algo que, segundo Nelson, os pensadores protestantes haviam sustentado três séculos atrás. Uma vez aceita essa premissa, diz Nelson: “A fome humana de intimidade física e emocional é de enorme significação espiritual. Ela não deve ser denegrida como imprópria para a vida espiritual. Assim, a teologia tem dado nova atenção ao discernimento de que a sexualidade é crucial para a vontade de Deus de que as criaturas não habitem em isolamento e solidão, mas em comunhão e comunidade”. Que a sexualidade seja intrínseca a nossa experiência de Deus não deve revelar-se como uma surpresa para os cristãos que consideram seriamente uma teologia encarnacional. Infelizmente, porém, revela-se como surpresa, sim, e para a consternação de muitos. Mas, como nos lembra Helminiak: “Sem integração sexual não podemos ser pessoas em pleno funcionamento. A consciência contemporânea também acrescenta o corolário: apenas uma pessoa em pleno funcionamento pode ser espiritualmente desenvolvida”. Diante do negativismo com que elas sempre viram a homossexualidade, o desafio para as Igrejas será descobrir como são chamadas a responder ao fato de que também os gays devem incluir a sexualidade em sua experiência de Deus. Como qualquer heterossexual, eles devem encontrar maneiras de ter uma experiência plenamente sexual de Deus. Tal declaração pode ser facilmente mal compreendida porque a palavra “sexual” para muitos sugere uma experiência erótica e genital. Aqui, quando digo “sexual” refiro-me à experiência total de si mesmo como homem ou mulher, como heterossexual ou gay/lésbica. Nossa experiência da sexualidade como algo difundido em toda a nossa pessoa refere-se a nossa auto-imagem, nossa imaginação, nossas sensações corpóreas, nossa percepção de como o gênero afeta nossa maneira de ser. Essa corporifi­cação mais completa é muitas vezes manifestada em nossa experiência de estarmos em nossos corpos, confortáveis com o fato de estarmos encarnados, felizes por termos órgãos genitais. Em um casamento heterosse­xual, isso geralmente implicaria expressão genital. Uma parte importante da mudança que tem reaproximado a sexualidade e a espiritualidade está ocorrendo no campo da ética. É o movimento de afastamento de uma moralidade orientada pelo ato para uma moralidade de caráter mais processual. Pecar na área da sexualidade não se refere tanto a fazer “certas coisas ruins”, mas, antes, a agir de modo que nos alienemos de nossa sexualidade, seja denegrindo o corpo, seja transformando-o em objeto de veneração. Temos mais consciência de tal alienação hoje porque percebemos como ela se manifesta na opressão das mulheres e na violência sexual, para não mencionar as maneiras aparentemente infindáveis pelas quais o mundo da propaganda e do entretenimento nos manipula para seus próprios fins. Apesar de compreensível a partir de uma perspectiva histórica, é lamentável que tenha sido a Igreja quem promoveu esse tipo de moralidade mais orientada para o ato, em que as ações sexuais são julgadas de modo isolado do resto da pessoa, como se alguém olhasse uma pequena parte da criação sob um microscópio, prescindindo do mundo maior. Os próprios cristãos contribuíram para a alienação que tantos gays e lésbicas sentem. O que se está pedindo aos cristãos é que se afastem dessa noção desencarnada de salvação, que tem afligido o cristianismo por séculos, e encontrem novas maneiras de incluir seus irmãos e irmãs gays em uma abordagem mais holística da salvação. É uma abordagem que afirma a santidade de nossos eus mais humanos e sexuais. Nelson observa: “A santificação sexual significa desenvolvimento na auto-aceitação corporal, na capacidade para a sensualidade, para o jogo, na difusão do erótico por todo o corpo (em vez de sua genitalização) e no abraço da possibilidade andrógina”. Não se trata de um ideal recém-concebido, do fim do século XX. O viver plenamente humano, que encontra sua perfeição em Deus, sempre esteve no âmago do cristianismo. As discussões de hoje na cristologia deixam isso claro. Não podemos apreciar a humanidade plena de Jesus e pôr entre parênteses sua sexualidade. Como assinala Joan H. Timmerman, não podemos igualar as fórmulas “Jesus é como nós em todas as coisas, salvo no pecado” e “Ele é como nós em todas as coisas, exceto no sexo”. Podemos fácil e confortavelmente apontar acontecimentos como a transfiguração como uma manifestação da divindade de Jesus, mas não é muito facilmente que buscamos a epifania da humanidade de Jesus no “cálido conforto dos genitais”. Timmerman diz: “A encarnação, em um sentido real, não é completa até que a comunidade das pessoas descubra Deus revelado em sua própria humanidade; assim também, um elemento da cristologia está ausente enquanto não nos permitimos formular imagens de Jesus penetrando na paixão da sexualidade tão profundamente como o fizemos no que se refere à paixão do seu sofrimento”. Seria uma contradição as Igrejas ensinarem uma espiritualidade encarnacional, em que a sexualidade fundamenta nossa própria capacidade de amar a Deus, e depois pedir ao homossexual que fosse “assexuado”. Aqui, o convite às Igrejas é certamente um convite de articulação e rearticulação teológica. Mas talvez o desafio ainda maior seja o fato de estar ocorrendo entre seus membros uma mudança significativa, que muitas vezes diverge do ensinamento oficial. Num tempo em que ocorre tal teste, precisamos escutar a todos nas Igrejas para discernir a voz de Deus. Não está além do plano de Deus que nossos irmãos gays e nossas irmãs lésbicas estejam nos ensinando algo sobre Deus na carne e como viver sob a cruz. Finalmente, Nelson vê a reunião de espiritualidade e sexualidade no reconhecimento público da sexualidade do indivíduo e da comunidade eclesiástica. Ele atribui boa parte disso ao feminismo religioso, assim como à consciência gay/lésbica. Há um reconhecimento nas Igrejas de que, no passado, a devoção protestante foi extremamente apreensiva quanto aos sentimentos e ao corpo; de que o corpo parecia não ter nenhum lugar na teologia encar­nacional católica tal como ensinada e praticada, e de que a educação cristã não colocou a sexualidade firmemente no centro da jornada de fé do crente. Parece estranho, mas é como se a Igreja finalmente estivesse percebendo que todos os seus membros possuem corpos com genitais. E alguns desses membros são gays. Não é mais possível tratar a sexualidade como algo privado. A Igreja não pode, por um lado, ser muito pública quanto ao aborto, ao planejamento familiar, ao abuso sexual, à gravidez adolescente e a todas as outras questões que suscitam o interesse e estão sempre presentes nos jornais e na televisão e, depois, lidar com o comportamento genital unicamente em termos individualistas. As questões sexuais hoje são tão difundidas quanto as do racismo e da economia. Não é de admirar que muitos estejam questionando o dualismo corpo/espírito que nos manteve cativos por tanto tempo. Por exemplo, uma espiritualidade que dicotomiza o sagrado e o profano é uma espiritualidade que separa a liturgia da justiça e a inserção na cultura da veneração e das questões sociais. Tal separação não funciona, religiosamente falando, e descobrimos que não podemos fundar uma espiritua­lidade em tal abismo. Hoje, há a renovação de uma espiritualidade mais centrada na criação. Isso cobre um amplo espectro de espiritualidades, seja a de Agostinho, seja a de Matthew Fox. Estamos no meio dessa mudança, e parte dela consiste na rein­trodução da sexualidade na espiritualidade. Nem tudo está claro. Foram e serão cometidos erros. Mas gays e lésbicas devem fazer parte desse casamento de espiritualidade e sexualidade. Podem beneficiar-se dele permitindo-se encontrar sua sexualidade como um caminho para Deus. E podem contribuir para ele oferecendo ao mundo heterossexual uma experiência de Deus que só eles podem ter. Trata-se de uma perspectiva e de uma experiência necessárias para que a epifania plena de Deus ocorra em nosso tempo. Deus criou gays e lésbicas para esse propósito e confiou-lhes essa missão. A experiência gay na espiritualidade cristã hoje Creio que, quando for escrita a espiritualidade do século XXI, ela mostrará as muitas maneiras pelas quais a experiência gay terá enriquecido a teologia e a espiritualidade. Vou concentrar-me em apenas uma de tais contribuições, que penso ser central para o futuro da espiritualidade: a superação de uma compreensão e de uma experiência dualistas da pessoa humana, da sociedade e de nosso relacionamento com Deus. Não seria leviano dizer que poderíamos escrever a história da espiritualidade cristã examinando a presença de dualismos nessa comunidade. Houve e continua a haver uma injustiça quando determinados dualismos governam nossas vidas. Teoricamente, somos todos capazes de alcançar a união da carne e do espírito, de promover o funcionamento conjunto da sociedade e da Igreja e de integrar nossa sexualidade e nossas experiências mais profundas de prece. Mas essas convergências não são tão facilmente obtidas. A sociedade, assim como a Igreja, luta com elas com um grau variado de sucesso. A divisão da pessoa em corpo (isto é, material) e alma (isto é, espiritual) ainda está viva no pensamento cristão, como a experiência dos funerais deixa claro. Isto é, muitas pessoas ainda identificam os restos no caixão com o corpo como se a alma fosse alguma coisa existente por si só. Uma abordagem mais bíblica e mais holística compreenderia as palavras “corpo” e “alma” como referentes à pessoa inteira sob as diferentes dimensões de um modo de ser no mundo (corpo) e em função das qualidades vivificadoras da pessoa (alma). Um dualismo fragmentador é especialmente evidente na área da sexualidade. Dou-me conta de que julgamos inimaginável que a relação sexual possa ser uma forma de prece sempre que, durante uma sessão preparatória de casamento, pergunto ao casal se a união sexual será parte de sua prece. Alguns indicam que sim; outros parecem ficar confusos com a pergunta; há ainda os que reagem com temor e mesmo com um tipo de horror. Apesar de todos os esforços feitos por autores e praticantes espirituais, além de feministas, para que seja superada essa abordagem dualista, ainda carecemos do tipo de integração de matéria e espírito exigido para que a espiritualidade e a sexualidade se tornem parceiras em nosso movimento rumo a Deus. Precisamos procurar por novos paradigmas e exemplos mais complexos de tal integração. Como vários movimentos de liberação evidenciaram, geralmente encontramos os exemplos mais claros entre os que chamamos de marginais ou liminares, isto é, as pessoas cujas vidas estão nas bordas da cultura dominante, cujas identidades são consideradas ambíguas pelas principais instituições do mundo, inclusive a Igreja. Como escrevi em outra parte: “Encontramo-la [a superação do dualismo] entre os pobres que são incapazes de mover-se, pressionados pelo poder de seus superiores civis e eclesiásticos. Eles são os menos propensos a abrir um abismo dualista entre seu eu corporal e sua vida espiritual. Pois a pessoa inteira é oprimida, a pessoa inteira é pobre, a pessoa inteira é jogada para as margens”. Como observarei mais tarde, não são apenas os economicamente pobres que se encontram em tal estado liminar, mas todas as minorias. Também pertencem a esses grupos, portanto, aqueles cujas vidas são caracterizadas por uma atração poderosa por membros do mesmo sexo. Muitos gays e lésbicas são pobres em relação a sua sexualidade. Muitas vezes, como não podem ter validados a identidade e os sentimentos, negam suas energias sexuais, escondem seus sentimentos. Gays e lésbicas cristãos muitas vezes fazem isso por causa da postura das Igrejas para com eles. É uma forma de injustiça que ainda existe. Mas é justamente aqui que a espiritualidade gay pode dar sua contribuição para a tradição espiritual. Quero dizer que é ao encarar essa injustiça que gays e lésbicas podem ministrar para o resto de nós por meio de sua condição liminar. Escrevi anteriormente: “Hoje, o primeiro passo na área da justiça e das pessoas gays e lésbicas é a justiça que eles devem a si mesmos na auto-afirmação e na aceitação da responsabilidade pela escolha que fizeram no que se refere a um dado relacionamento. Mas não é suficiente alguém saber que é pobre; é preciso também ser aberto com os outros para a verdade, para que tal pobreza não se torne desumanizadora”. O ministério de gays e lésbicas espiritualmente comprometidos é primariamente um ministério da vulnerabilidade, na busca de uma Igreja e de uma sociedade mais justas e de uma espiritualidade mais orientada para a justiça. Eles já estão em uma posição vulnerável na sociedade e na Igreja. Não é algo que devam buscar. Já são objeto de ridicularização e de discriminação. Contudo, essa vulnerabilidade não precisa torná-los fracos, já que nela se encontra seu poder. A espiritualidade gay oferece à tradição espiritual cristã e a outras uma perspectiva específica da justiça pretendida por Deus. Não é uma justiça obtida apenas por meio de protestos zangados contra as instituições, nem pela rejeição de uma Igreja homofóbica. A justiça real surge “quando colocamos nossas energias em viver uma vida compassiva, verdadeira e alegre”. Isso não significa que não haja lugar para que vozes proféticas falem contra as injustiças de várias maneiras, inclusive por meio de protestos. Mas a profecia sem amor e compaixão é vazia. Gays e lésbicas podem oferecer à Igreja uma espiritualidade de justiça, com prioridades que podem diferir das de outros grupos que buscam justiça. Homossexuais sensíveis a questões de injustiça social concordariam com a afirmação de que não há paz sem justiça e que deve haver justiça antes da paz, mas acrescentariam que deve haver amor antes da justiça. Essa é uma justiça que flui da compaixão em vez de basear-se em direitos ou imperativos morais. É uma experiência holística de justiça, em que o dualismo costumeiro foi temperado. É triste que hoje o exemplo mais claro dessa saudável compaixão seja encontrado na maneira como o homem gay, por exemplo, lida com os que têm aids. O fato é que a necessidade de outro paradigma de integração humana é encontrado no testemunho de homens e mulheres gays liminares, compassivos ao amarem e cuidarem de seus amigos, que podem estar suportando uma dor arrasadora e o possível fim de suas vidas. A justiça que flui da preocupação compassiva por nossos irmãos e irmãs é um chamado a todos os seres humanos, não apenas gays e lésbicas. Uma grande força une o movimento feminista e o movimento de gays/lésbicas no anseio de reconstruir a sociedade e a Igreja ao longo de linhas mais orientadas para a justiça. Existe, porém, algo distinto dos homossexuais que torna esse amar compassivo um paradigma muitíssimo adequado da integração humana que promove justiça. É um modelo de inte­gração humana que dá substância ao quadro maior do desenvolvimento sexual espiritual. Como os heterossexuais, os homens e mulheres gays devem primeiro amar a si mesmos antes de poderem envolver-se no ministério do amor compassivo pelos outros em um sentido espiritual autêntico. Contudo, também para amar a si mesmos os gays devem superar certos obstáculos que não se apresentam ao homem ou à mulher heterossexual. Apesar do que a sociedade, a Igreja e a família possam dizer-lhes, eles são amáveis e podem amar a si mesmos tão profundamente quanto qualquer pessoa heterossexual. E devem amar a si mesmos justamente como gays, porque é como Deus os ama e quer que sejam. Os homens heterossexuais podem ser, e freqüen­temente são, ameaçados por boa parte da agenda feminista, com seus programas antipatriarcais, sua ênfase na igualdade e sua exigência de reconhecimento da maneira específica como as mulheres pensam e interagem. O feminismo também ameaça muitos homens no que diz respeito a sua sexualidade. Contudo, nada coloca tão em questão a auto-identidade de um homem quanto o fato de haver homens que amam outros homens e expressam esse amor sexualmente. Isso é percebido como um ataque à última defesa da masculinidade, que se baseia em uma diferenciação do feminino. Em sua pior forma, essa postura defensiva degenerou no “espancamento de gays”. É por isso que o testemunho do homem gay é tão evocativo neste tempo. Amy E. Dean, em uma de suas meditações para lésbicas e homens gays, diz: “Muitos heterossexuais argumentarão que a atração por membros do sexo oposto é normal e que seu fim primário — a propagação — é parte da ordem natural das coisas. O fato de que outras pessoas podem ser atraídas por membros do mesmo sexo cria um dilema incrível para eles; eles não compreendem como algo que é tão natural e normal para eles não é o que todos os outros querem também”. Como o homem gay pode ser bastante ameaçador para os homens heterossexuais — muitas vezes porque o percebem como alguém que ostenta publicamente aspectos da sexualidade que os heterossexuais suprimiram em suas vidas —, o homem gay saudável pode dar testemunho da integração humana de maneiras significativas. Pressupondo que pode amar a si mesmo e afirmar sua bondade como dada por Deus, ele pode manifestar um amor do eu em que o homem não está dominando uma mulher, em que o foco não está na genitalidade36 e na reprodução, em que a importância do toque difuso por todo o corpo é afirmada. Não que os heterossexuais não possam também dar testemunho desse tipo de integração. Mas eles devem primeiro lidar com as questões do sexismo, do patriarcado e da opressão das mulheres. Por essa razão, é possível que os homens gays manifestem mais diretamente a ligação entre amar os outros e fazer justiça neste tempo. Isso significa que muitas vezes os homens gays podem ser melhores testemunhas do poder do erótico de impelir-nos para a liberação humana do que no caso em que se concede liberdade completa ao erotismo. Essa afirmação é possível se compreendemos que, como a própria sexualidade, o erotismo não pode ser limitado à atividade genital. Como Audre Lorde expressa: “Tendemos a pensar no erótico como uma excitação fácil, provocante. Falo do erótico como a mais profunda força vital, uma força que nos move a viver de uma maneira fundamental”. Os homens gays podem manifestar a afinidade fundamental entre o erótico (no sentido de Lorde) e a justiça porque o erótico consegue encontrar um lar espiritual em seus relacionamentos. Aqui, os envolvidos experimentam-se como igualmente valiosos, como fontes de amor e como amigos genuínos. Os homens gays podem ajudar-nos a compreender como o erótico tem qualidade curativa, modela nossos relacionamentos e fornece a energia para que nos movamos de uma maneira mais comprometida para manter nossos relacionamentos libertadores e íntimos. Lorde trata diretamente dessa ligação da justiça com o erótico: “Quando começamos a viver de dentro para fora, em contato com o poder do erótico dentro de nós mesmos e permitindo que esse poder informe e ilumine nossas ações sobre o mundo a nosso ­redor, nós começamos a ser responsáveis por nós mesmos no sen­tido mais profundo. Pois começamos a reconhecer nossos sentimentos mais profundos, começamos a renunciar, necessariamente, a nos conformarmos com o sofrimento, a autonegação e a insen­si­bilidade, que tão freqüentemente parece ser a única alternativa em nossa sociedade. Nossos atos contra a opressão tornam-se integrais ao eu, derivando motivação e força do interior.” Os homens gays e as mulheres lésbicas podem ministrar para os relacionamentos heterossexuais hoje ao apontarem as qualidades que devem ser encontradas na vida casada para que o prazer sexual seja experimentado como forma de união espiritual e de comunicação libertadora. Hoje, quando homens e mulheres lutam para transformar os relacionamentos íntimos, levando-os da dominação para a parceria, eles podem redescobrir a ligação emanci­pa­dora entre sexo e espiritualidade. Os homens e mulheres gays podem ser modelos de como o erotismo pode e deve influenciar todas as nossas interações com o mundo e com Deus. Marvin M. Ellison observa: “Estou convencido de que uma espiritualização sem paixão erótica torna-se fria e sem vida. Deus torna-se uma abstração, antes uma idéia que uma presença viva em nossas vidas. Estou à procura de uma espiritualidade cristã que reconheça que a vocação humana é fazer amor apaixonado neste mundo, em nossas camas e em nossas instituições. Amar bem significa compartilhar o dom da vida com zelo e grande generosidade e buscar relações corretas com todos os outros, relações de igualdade e mutua­lidade genuínas, de poder compartilhado e respeito. Ao dirigir suas energias eróticas para a área da justiça social, os gays e lésbicas podem experimentar sua sexualidade como um sacramento do amor de Deus pela humanidade; mas a sexualidade também se torna sua maneira de discernir onde a justiça está ausente e como eles poderiam realizar de modo realista essa justiça. “Na verdade, o próprio poder de nossos momentos mais íntimos e orgásmicos simultaneamente nos liberta de nós mesmos, devolve-nos renovados a nós mesmos e transborda como aquela energia pela qual nos juntamos à libertação de toda a terra.” Os homossexuais hoje assumem seu lugar juntamente com os outros grupos marginais na realização da boa nova da salvação. Os liberacionistas latino-americanos colocaram as relações familiares acima da riqueza, do poder político e do paternalismo. O fe­mi­nismo trouxe à luz como o sexismo adulterou a própria palavra de Deus. As novas Igrejas do Pacífico desafiam o Deus das Igrejas ocidentais, apresentado em sentimento e forma coloniais. Há algo de profético nesses movimentos. Os gays/lésbicas participam dessa mesma vocação profética. Como isso ocorre realmente? “O que os santos gays e lésbicas de nosso tempo testemunham para a Igreja é o fato de que a santidade é um negócio apaixonado, de que o viver sexual pleno revela o caráter único do ser uma pessoa corporificada, de que a encarnação exige mutualidade e igualdade também entre as pessoas do mesmo sexo, de que a amizade é mais significativa que os relacionamentos competitivos, de que santidade é o mesmo que usufruir a vida e amar de maneira não-possessiva, não limitando a sexualidade a algumas ocasiões, mas espalhando-a em uma experiência contínua de amor aprazível”. A espiritualidade gay pode não ser mais encarnacional que qualquer outra espiritualidade cristã, mas isso não diminui o fato de que ela tem um papel especial a desempenhar na tradição cristã e no viver a vida cristã. Os homens e mulheres gays devem tornar-se missionários em um mundo homofóbico. Os homens gays, em particular, podem mostrar aos homens heterossexuais (e também às mulheres, na medida em que for aplicável) que não precisam separar-se de seus sentimentos e viver vidas desencarnadas, que não precisam provar seu valor por meio de realizações, que o temor da sexualidade e do prazer não precisa transformar-se em raiva e violência, e que eles podem abandonar o controle de suas vidas e não sentir-se compelidos a ter filhos para assegurar-se de um futuro. A espiritualidade gay é uma espiritualidade cristã culturalmente inserida porque permite que o evangelho se desenvolva a partir dos seguidores homossexuais de Cristo.

I’ve never been able to get a super-clear read on my own sexual orientation, and that’s just how it is sometimes.

Nox:

Uma reflexão bem realista sobre o que significa a orientação sexual gay na vida de muitas pessoas: uma escolha com sabor de “será que podia ser diferente?”.

Postado originalmente em Blotter Paper:

11queerbadge_400 Same-sex attraction certainly exists. And it’s probably biological. But, in some ways, the existential life of the individual queer person would be easier if it wasn’t a question of biology, because then it would just be a question of taste and could be interrogated as such. We have plenty of tools for analyzing questions of taste: straight men know exactly how to say that they prefer one kind of woman to another kind of woman, and, while we don’t think of those preferences as being biological (though they might be, to some extent), we accept them as real expressions of that man’s unique psyche. Perhaps what we’re looking for is a world where some men are just able to say, “Oh, I find other men–or this kind of man–to be aesthetically satisfying in such and such a way” without any question of biology entering into it.

That, though, is not…

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gráfico

Esse gráfico deveria fazer os “militantes homossexuais” acéfalos refletir um pouco, pois ele apresenta uma grande verdade: não há nada (a não ser de maneira acidental) que seja caracteristicamente gay. Nós estamos no meio do “caldo humano”, compartilhando de todas as possibilidades que alguém nesta terra pode ter. Um movimento político que frise o acidental é tão surreal quando um que resolvesse advogar aquilo que é próprio dos subgrupos do gueto gay, como, por exemplo, um dos “pintosos” ou um dos “ursos”.

Catholics are reaching out to the LGBT community

O bispo emérito do Brooklyn, D. Joseph Sullivan, indo de encontro aos delírios dos teólogos de gabinete, mostrou certa vez (texto publicado originalmente no Buffalo News) como os gays podem se inserir perfeitamente no trabalho pastoral da Igreja (é só pararem de nos ver apenas como “seres sexuais”):

One need only flip through some of today’s cable news channels to witness how some of our society’s most sensitive public policy matters are overly simplified in black-and-white terms, in which only the most strident voices seem to get heard. Of those many hotly debated issues, the rights of the lesbian, gay, bisexual and transgender (LGBT) community continue to make headlines.

What you would probably be surprised to learn is that Catholics are among those who increasingly are reaching out pastorally to the LGBT community. A recent study released by the Public Religion Research Institute found that a majority of Catholics believe that job discrimination against gay and lesbian people should be outlawed. By almost 2 to 1, Catholics believe that gay and lesbian couples should be allowed to adopt children.

The views of Catholics about the LGBT community have been evolving for years. Catholic teachings compel us to work toward the elimination of unjust structures and to treat people with dignity, regardless of their state in life or their beliefs. My own understanding of this community has also evolved over the course of four decades of ministry.

Given that Catholics represent approximately one-quarter of the U. S. population, the changing attitudes of Catholics toward greater degrees of LGBT equality most likely will be a significant influence in the public square. Across the country there are increasing numbers of parishes that welcome LGBT parishioners and their families to active participation in the church. Catholic colleges and universities are in dialogue with their LGBT students, and Catholic retreat houses provide retreats specifically for LGBT Catholics.

Catholics and other religious people who support LGBT rights do so because of their experience of engagement with members of the LGBT community. They are not rebels in their churches, but people who have taken spiritual messages of inclusiveness and welcoming to heart. They are taking the church’s teaching on social justice and applying it to pastoral practice in engaging the LGBT community.

We see these teachings play out as Catholics across the country engage in prayerful and meaningful dialogues about understanding and embracing the LGBT community. This dialogue is happening amongst faithful families, in student groups on the campuses of Catholic universities, and within church congregations. This dialogue is admittedly difficult, at times, but important.

More than a decade ago, the U. S. Conference of Catholic Bishops issued a graceful message, “Always Our Children,” which reminded us, “For St. Paul love is the greatest of spiritual gifts. St. John considers love to be the most certain sign of God’s presence.” For most Catholics, there can be no statement that better summarizes an attitude of welcoming of our LGBT brothers and sisters than those of Jesus, “love one another as I have loved you.”